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5 de agosto de 2017

O retorno da velha parábola

O formigueiro estava em polvorosa. As formigas, inconformadas, achavam injusto que sua formiga-rainha as obrigasse a trabalhar dobrado, recolhendo e estocando cada vez mais provisões para o reino. Elas estavam exaustas. Já não tinham mais tempo para descansar entre um turno e outro e, para cúmulo, não tiveram aumento de ração para que pudessem dar conta do esforço extra. Uma exploração sem precedentes, que irritava as trabalhadoras.

— Minhas amadas súditas, queridas companheiras de jornada — disse a formiga-rainha, em tom conciliador —, logo vai chegar o inverno e todas nós sabemos como essa estação é cruel. O vento, o ar gelado, a chuva, a escassez de alimentos, tudo isso é muito ruim para nós e para o nosso reino. Por isso temos que ser precavidas e garantir nossa sobrevivência nos tempos difíceis que se aproximam. Creiam, há reinos por aí em situação muito pior que a nossa, mas não esmoreçam: os dias de bonança não tardarão. Ao trabalho, pois!

Feito o discurso, a rainha saiu discretamente do formigueiro; tinha outra reunião importante e não poderia chegar atrasada.

— Está ficando cada vez mais difícil enganá-las, mais trabalhoso, estou exausta, ufa! — murmurou para si a cigarra, tirando o disfarce de formiga-rainha.

— Mas você tem feito um bom trabalho até agora — cumprimentou-a a cigarra-chefe. Não esmoreça, querida: os dias de bonança não tardarão.

E todas as cigarras, alegremente, foram beber champanhe francês e fumar uns cubanos.

 




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