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13 de outubro de 2015

O rio ao pé de mim

rio2Havia um rio: este, ao pé de mim.

Eu o olhava e meus olhos, encantados, denunciavam que nunca tinham visto coisa mais bela. Era um rio majestoso, que corria barulhento por um vale cercado de montanhas verdes e igualmente deslumbrantes. Havia pedras nas margens desse rio tão belo, que se entregavam ao jorro incessante de água cristalina. Também havia árvores, e bichos, e a força descomunal da natureza ao redor. Eu tinha certeza: não havia no mundo algo mais bonito que esse rio, que multiplicava os reflexos do sol e da lua, que fazia a vida brotar ao redor, que trazia paz e alento a quem se sentasse a seu lado e se dispusesse a ouvir sua cantiga. Como eu faço agora.

Eu o quero. Eu quero esse rio para mim.

Numa noite, apossei-me dele e o levei para casa. Queria apreciar diariamente, sem testemunhas, sua beleza e sua pujança. Não consegui. O que logrei foi só prejuízo: uma casa inundada e a perda de todas as minhas coisas. Devolvi o rio ao vale e passei a olhá-lo com reservas. De longe.

Hoje, quando alguém me conta sobre a beleza do rio, eu finjo que não escuto. Finjo que desconheço o vale, as pedras, as árvores, os bichos e a força da natureza. Falem-me do rio e eu direi que só me lembro de minha casa inundada e das minhas coisas levadas pela brutalidade da água.

 




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13 de outubro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos beleza, natureza, rio

              
            
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