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27 de novembro de 2015

O significado

livrosRoubava desde que era criança. Não escolhia nem tinha preferências. O critério era o gosto: se gostasse, dava um jeito de passar a mão. Canivetes, roupas, calçados, doces, gorjetas das mesas, cinzeiros, carteiras, telefones celulares – o que estivesse ao alcance de seus dedos ágeis desaparecia dos olhos dos legítimos donos e aumentava sua coleção. Cresceu assim e nunca foi pego. Hoje, já adulto, continua sua aventura de se apropriar do que não lhe pertence.

Seu interesse, ultimamente, tem se revelado peculiar: os livros. Criou um apetite voraz por eles. Era apenas vê-los e suas mãos começavam a coçar de desejo de possuí-los. Roubava-os das bibliotecas, dos quiosques, dos centros comerciais, dos bancos de praça quando os leitores se distraíam e, é claro das livrarias de qualquer bairro da cidade. Acumulava os volumes em seu quarto e experimentava um prazer enorme quando os acariciava, admirava as capas duras e coloridas, cheirava as páginas e colocava um ao lado do outro como objetos preciosos. Passava horas admirando sua biblioteca particular.

Esse impulso incontrolável devia ter alguma causa, um significado, ele pensava. E que significado seria esse? Coçava a cabeça matutando sobre o assunto, mas não conseguia chegar a nada. Até que um dia, enquanto limpava sua coleção, pensou que talvez, quem sabe, por que não?, o melhor fosse aprender a ler.

 




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