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7 de junho de 2017

O sonho é meu

Abri o guarda-roupa e o cheiro de sândalo inundou o meu nariz. Como se ali houvesse um tesouro, enfiei a cabeça com cuidado e olhei para os dois lados. Empoleirada sobre as duas caixas de sapato à direita, uma galinha estava imóvel. Levei um susto e pisquei várias vezes para ter certeza do que via. Os olhos da ave, ao contrário, postos em mim, não piscavam. Ela mais parecia uma estátua, não mexia uma pena. Olhava fixamente para mim, ou talvez meditasse.

Isso não é uma coisa razoável, eu pensei. Vivo sozinho no décimo andar, não é possível que uma galinha tenha subido até aqui. Como o estúpido que às vezes sou, olhei a janela do quarto para me certificar de que estava fechada.

Então, em voz baixa, como se não quisesse atrapalhar a concentração da galinha, digo para mim mesmo: Ninguém vai acreditar em mim. Dirão que sonho ou deliro. Talvez queiram me internar. Ao que a bípede respondeu: Diga a todos que o sonho é meu. E sumiu num piscar de olhos.

Eu obedeci.

 




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7 de junho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos galinha, sonho

              
            
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