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17 de maio de 2017

O tempo me ensinou

O tempo me ensinou que, conforme passam os anos, se aprende menos do que se ignora. Velhaco, o tempo sempre mostra a verdade quando já está em cima da hora e pouco se pode fazer.

O tempo me ensinou que os amigos, aqueles, podem ser contados nos dedos de uma mão; deve ser por isso que não os conto: para pensar que tenho um milhão deles. Aprendi com o tempo que os traidores se sentam conosco na mesma mesa e a mão que nos dá a punhalada é a mesma que compartilha o pão.

Como não tenho nada sobrando, digo que sou rico, e prefiro ser um sujeito pobre a um pobre sujeito. O tempo me ensinou que as bandeiras nada mais são que paus com um pedaço de pano amarrado neles, e os mapas são papéis que os reis repartem entre si enquanto os homens lutam e perdem o sangue. Que a miséria é culpa dos homens miseráveis. Que a justiça tarda e, isso mesmo!, nunca chega. Que a memória não é menos poderosa que o esquecimento, ela só fica adormecida — mas lateja!

O tempo me ensinou que os homens de bem escreveram a história com seu sangue, mas não aquela que está nos livros, escrita com a pena dos covardes. Por fim, o tempo me ensinou a desconfiar do que ele próprio me ensinou, mas às vezes tenho a esperança de que ele possa estar um pouquinho equivocado.

 




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