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22 de julho de 2019

Orgulho

São sete em volta da mesa coxa de madeira infestada de cupim. Sete para a partilha diária do pão. São pobres e sabem o que é ser isso. Sete pobres com os cotovelos apoiados numa mesa doente. São anões. São sete anões. Além de pobres anões, são grotescos, feios, brutos, sete pobres brutos em torno de uma mesa defeituosa, prontos para comer o pão. São anões lenhadores grotescos, feios, brutos, pobres e só têm essa mesa torta, que mal fica em pé, sobre a qual dividem o pão.

Os sete se sentem bem. São parte de uma história que toda a gente conhece e de que toda a gente gosta. E assim se percebem menos pobres, menos feios, menos brutos e menos grotescos. E a mesa, essa mesa em torno da qual se amontoam — coxa, defeituosa, infestada de cupim —, permite que dividam o pão que os sustenta no fim do trabalho. Têm a mesa, e gostam dela, têm o alimento, e são gratos por ele, têm o orgulho, e isso infla o seu peito. Comovidos, beijam a mão de quem os colocou no meio de uma história de que toda a gente gosta e não querem nada mais que a mesa doente sobre a qual repartem o pão todos os dias.

 




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