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22 de março de 2016

Os carneiros

carneiroComeçou com dez carneiros. Emanuel olhava, cuidava e fazia a contagem e, quando não precisava deles, guardava-os no estábulo. Eram seus e ele os amava. Pouco tempo depois percebeu que os dez já não bastavam e pensou em comprar mais. Para fazer dinheiro, tosquiou os que tinha e vendeu a lã. Assim, conseguiu adquirir mais vinte carneiros. Seu rebanho cresceu e Emanuel estava contente.

Depois de vários meses e muito trabalho, Emanuel chegou a possuir cem cabeças. Era um patrimônio e tanto. Para mantê-lo, teve que construir um estábulo maior e contratar dois ou três pastores para que tomassem conta dos animais. A fortuna de Emanuel chamou a atenção da vizinhança e a cobiça e a inveja logo fizeram ninho nas redondezas. Emanuel tratou de se proteger, não lhe roubassem o que custara tanto para ser amealhado. Decidiu investir em segurança: colocou cercas eletrificadas em volta do estábulo, instalou câmeras de vigilância, contratou guardas para o dia e para a noite. Queria seus carneiros bem guardados e longe das mãos alheias.

Quando atingiu a marca invejável de mil carneiros, Emanuel passou a desconfiar de seus empregados. Começou a perceber indícios de que desejavam roubar seus animais – ouvia muxoxos aqui e ali durante o expediente, uns risinhos abafados, uns comentários dissimulados – e por isso despediu todos os seus servidores. Emanuel, ele próprio, passou a cuidar da segurança do rebanho e a fazer vigilância severa sobre suas posses.

Espingarda na mão – e a convicção de que nenhum carneiro seria perdido –, passou a vigiar o rebanho com olhos de lince. Escondia-se no bosque ali perto e ficava atento ao capinzal onde os carneiros pastavam. Ninguém, nunca, iria roubar os carneirinhos que contava para dormir, mesmo que essa diligência lhe custasse o precioso sono de todas as noites.

 




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