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17 de setembro de 2015

Os leitores

caféNa mesa do canto, perto da porta do banheiro, o homem de meia-idade que lê permanece imóvel há horas. O garçom se aproxima, pergunta se deseja algo mais, ele não responde. Sua xícara de café está ainda na metade, e ele parece não precisar de nada. Lê.

O jovem ruivo, sentado três mesas atrás, também lê e tampouco parece querer algo além do café que pediu há quatro horas.

Na mesinha perto da entrada, uma mulher de idade indefinida toma seu café aos golinhos, os olhos pregados no livro que tem nas mãos.

Ouve-se o sininho da porta, indicando que alguém chegou. É um homem jovem, de barba cuidada e cabeleira revolta. O garçom indica a mesa vaga perto da janela e pergunta o que vai querer. “Um café”, diz o homem. Quando volta com a xícara, o garçom percebe que há um livro de poesia sobre a mesa. Suspira. Sabe que, também desta vez, o lugar vai ficar ocupado por um tempo indeterminado e que aquele cliente não vai lhe dar atenção. Nem gorjeta.

Quem olhar de fora para o interior do café verá uma pintura – um quadro, estático, quase imóvel, não fosse o sorriso que aos poucos se desenha no rosto de cada um e o movimento dos olhos, ávidos, faíscas brilhantes no breu, que devoram aquele alimento feito de palavras. Verá também a paz e sua materialidade.

 




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17 de setembro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos café, leitor, leitores, livro

               
              
            
                

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