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17 de julho de 2017

Os olhos e a alma

Arquimedes era um sujeito folgado, preguiçoso e que gostava de levar vantagem em qualquer oportunidade. Por isso não hesitou em assinar aquele contrato; estava certo de que sua boa vida estaria assegurada e nunca lhe faltaria riqueza e, com ela, o amor e tudo de melhor que havia no mundo. E assim aconteceu. Ele viveu à larga e nada lhe faltou.

Às vésperas do vencimento do acordo, ocasião em que Arquimedes tinha que realizar a sua parte, e, acostumado a estar sempre em vantagem, quis enganar seu sócio e perpetuar seus benefícios. Com lágrimas nos olhos, Arquimedes apresentou-se a ele e propôs romper o contrato, argumentando que a crise econômica do país não lhe permitiu alcançar os resultados planejados. O sócio, mesmo sabendo que tudo não passava de teatro, ouviu-o com calma e atenção e, no fim, ofereceu um lenço para que Arquimedes secasse as lágrimas e disse que estava tudo bem, que o contrato poderia ser quebrado sem qualquer inconveniente. Os dois apertaram as mãos.

Para mostrar que não havia problema, o sócio guardou no bolso o contrato molhado de pranto e, sem que Arquimedes visse, olhou para longe e sorriu, matreiro. E disse, em tom distraído:

— Conhece o ditado: os olhos são o espelho da alma?

Arquimedes fez que sim com a cabeça e, quando já estava de saída, olhou nos olhos de seu sócio e percebeu que estava perdido. Quando se trata de alma, o demônio sempre encontra a maneira de manter aquelas que lhe pertencem.

 




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17 de julho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos alma, contrato, demônio, espelho, olhos

               
              
            
                

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