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18 de março de 2017

Os olhos

Dentre as fotografias que o delegado lhe mostrou, Sueli reconheceu uma pelo olhar do retratado — o mesmo olhar daquela noite na rua deserta, ela dizendo não, pelo amor de Deus! e ele fingindo que não escutava. Ela nunca se esqueceria daqueles olhos e daquele rosto que ficou tão perto do seu por terríveis e intermináveis minutos. O delegado assentiu com a cabeça e deu a ordem ao policial: Busca e captura, rápido! Dois dias depois Sueli foi chamada para o reconhecimento definitivo. Atrás do espelho falso, viu os cinco rapazes, um ao lado do outro. Qual deles?, perguntou o delegado. Sueli examinou os olhos de cada um e respondeu com firmeza na voz: O de camiseta amarela. O delegado mandou soltar os outros quatro. Com determinação, Sueli foi atrás do de camiseta azul. Seguiu-o, sem descanso, por ruas, praças e avenidas. Numa entrada de beco, tirou as duas tesouras da bolsa e aproximou-se dele por trás. Tocou seu ombro: Olá, lembra-se de mim? O rapaz se virou e a primeira tesoura entrou num dos olhos, a segunda, no baixo ventre, na altura do sexo. Sueli deu meia volta e desapareceu. Ninguém viu nada.

 




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