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20 de agosto de 2017

A outra margem do rio

Nas manhãs em que não chove saímos para passear arrastando as correntes. Rompemos o amanhecer com nossos passos cansados e vamos até o rio para nos lavar. Na volta, ajustamos os ferros de maneira que ninguém se machuque e cada um pega a sua enxada. Durante várias horas, sem parar, sob o olhar atento dele, cortamos o capim, aramos o terreno, afofamos a terra para o plantio. Em seguida comemos rapidamente e logo voltamos ao trabalho, até o anoitecer. Nos barracões, antes de dormir, rezamos em conjunto e depois, silenciosamente, cada um faz a sua oração individual. Eu peço para que o céu amanheça limpo na manhã seguinte e não caia uma só gota de chuva, pois só assim poderemos ir novamente até o rio. Quando os oito aprendermos a segurar a respiração por cinco minutos, nadaremos até a outra margem. Ele, que não tira o olho de cima de nós, terá que decidir se descarrega sua arma em nossas cabeças ou se vem conosco.

 




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20 de agosto de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos chuva, margem, rio, Terra, trabalho

               
              
            
                

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