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1 de novembro de 2014

Paciência

paciência

– Um vidro de paciência, por favor.

– Paciência?

– Sim, um vidro. Rápido, por favor.

– A senhora trouxe a receita?

– E desde quando é preciso receita para comprar um pouco de paciência?

– Minha senhora, todo mundo sabe que paciência é produto escasso hoje em dia. Não posso vender assim, sem mais nem menos. Preciso da receita.

– Mas isso é um absurdo!

– É a realidade, minha senhora.

– Eu não tenho a receita. Mas preciso de um vidro agora, rápido!

– Eu insisto, senhora. Sem receita, nada de paciência.

– Eu pago o dobro do preço.

– Não adianta…

– O triplo.

– A senhora pode me oferecer até dez vezes mais. Nesta farmácia não se vende paciência sem receita. E ponto final.

– O senhor é um energúmeno!

– ?!

– Um vampiro, um idiota, um paquiderme!

– Senhora, acalme-se!

– Um cretino, um imbecil, o maior imbecil do mundo!

– Saia agora mesmo da minha farmácia!

– E eu nunca mais voltarei nesta espelunca.

– Pois não volte mesmo, velha louca. Aqui não há paciência para a senhora, ouviu bem? Não tenho paciência. Zero de paciência! Não há paciência! Acabou-se a paciência! Não vendo mais paciência!

 

 

 




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