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10 de setembro de 2014

Paredão

As condenadas à morte chegam ao paredão e se colocam de costas para o atirador. Posicionam-se com pequena distância uma da outra. Sabem o que vai acontecer, e tremem. É aqui o ponto final, o caminho sem volta, o momento em que nada mais importa. Sabem também que a causa é justa e estão resignadas. Aguardam em silêncio. O atirador aponta sua metralhadora e, com precisão, acerta um tiro em cada uma. Em questão de segundos caem um beijo, um medo, uma traição, um amor, um delírio, uma ilusão, um segredo, um romance, uma expectativa, um adeus, um reencontro, uma angústia, uma saudade.

Terminado o fuzilamento, o atirador coloca sua arma no chão, levanta uma a uma as palavras assassinadas e, pacientemente, prepara o renascimento de cada uma delas em seu novo poema.

 




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10 de setembro de 2014 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos palavras, paredão, poema

               
              
            
                

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