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29 de novembro de 2017

A peça mais preciosa

A senhorita Mariquinha Penaleve era tão pequena que nem se dava ao trabalho de usar salto alto; sabia que nem assim seria notada. Quando caminhava pela calçada todos a confundiam com uma menina. Nem sequer pensavam: “Mas que mulher pequena!”. Era só uma menina o que todos viam.

Se, por um lado, ser confundida com uma menina compensava seu complexo de estatura, por outro trazia um problema: nenhum homem a olhava como possível namorada ou esposa. Como formar uma família com uma mulher tão pequena? Tampouco o senhor Arturo, o dono da loja de antiguidades, dava atenção a ela, mais ocupado em limpar e lustrar as peças de metal dourado que adornavam sua vitrine. A senhorita Mariquinha passava horas na frente da loja observando como o senhor Arturo mimava os objetos, com que delicadeza os acariciava!

Uma manhã acordou decidida: era hora de empurrar o destino e mudar sua sorte. Marcou hora no cabeleireiro, na manicure e na maquiadora. Saiu do salão com os cabelos parecendo fios de ouro e os olhos como duas bolinhas de gude. Foi para casa e tirou do armário o vestido azul de tule; as sapatilhas de bailarina e um pequeno chapéu com fita rosa completaram o efeito que desejava: agora ninguém mais a confundiria com uma menina, nem o senhor Arturo. Todos teriam certeza de que se tratava de uma boneca, dessas de fina porcelana. Hoje o antiquário dedica horas de cuidado e carinho para a senhorita Mariquinha e a expõe como a peça mais preciosa de sua loja.

 




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29 de novembro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos boneca, loja, menina, peça

               
              
            
                

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