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29 de março de 2017

Pela hora da morte

Embora tivesse tentado esconder por todos os meios, finalmente Adelaide decidiu contar ao Jaiminho que seu pai passaria um ano, talvez dois, à sombra.

— Querido, o papai vai ficar um tempo longe daqui, andaram dizendo que ele fez coisas más. Mas depois ele vai voltar, entendeu?

— O que aconteceu, mamãe?

— Nada de muito grave. Seu pai roubou umas caixas de frutas. Mas não se preocupe, viu, se ele fez isso foi porque nós não tínhamos nada para comer.

No dia seguinte Jaiminho leu na capa de todos os jornais: Empresário Jaime Verdugo é condenado a vinte e dois anos de prisão por desviar bilhões de investidores. Depois de ler, Jaiminho pensou, fez comparações, multiplicou, subtraiu e, depois de muitos cálculos, concluiu que o preço das frutas andava pela hora da morte. Ainda que gostasse muito, decidiu que nunca mais comeria nenhuma delas.

 




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29 de março de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos frutas, morte, pai, preço

               
              
            
                

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