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17 de julho de 2020

Pelo retrovisor

Bom seria se amanhã eu pudesse olhar pra você com os olhos de ontem. Assim, depois de uns poucos meses, conseguiríamos superar essa indiferença doída que existe hoje entre nós e começaríamos de novo com nossas brigas. Num par de anos estaríamos na fase das pequenas discussões cotidianas, todas por motivos sem importância e, muito pouco tempo depois, você retomaria o seu riso contagiante e recuperaria aquela forma graciosa de mexer nos cabelos que só você sabe fazer.

Eu voltaria a desejar você cada vez mais, até que deixássemos de viver juntos para sermos apenas namorados. Faríamos amor pela primeira vez. Passearíamos de mãos dadas debaixo de chuva na Paulista, e riríamos até não poder mais sem motivo algum. Num domingo qualquer sentaríamos num café, desses românticos com mesas na calçada, e passaríamos horas ali, vendo a vida escorrer diante de nossos olhos espantados.

Finalmente, numa distração minha, eu esbarraria em você na escadaria da biblioteca da Faculdade de Jornalismo, num dia ensolarado de dezembro. Eu ficaria encantado pela menina de cabelos longos até a cintura, loira. Você estaria com a camiseta verde sem mangas, aquela com a cara do Jim Morrison, a calça jeans desbotada e o par de tênis All Star vermelho. Eu sorriria pra você, pediria mil desculpas pelo esbarrão e o seu número de telefone.

 




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17 de julho de 2020 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos conto, retrovisor

               
              
            
                

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