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11 de fevereiro de 2018

Perdão

Dez minutos depois ainda se ouvia o eco dos disparos e o pelotão não tinha se retirado de todo. Caídos próximos ao paredão, dois corpos: um homem e uma mulher. O juiz considerou que os dois cometeram crimes hediondos e os sentenciou à morte por fuzilamento. Um assassinato e um perdão: esses foram os delitos praticados por eles.

Jogados no chão, os dois cadáveres aguardavam o momento de serem recolhidos e entregues à respectiva família para o sepultamento. Era triste vê-los ali, inertes, quase comida para cães. O juiz que os condenou os contempla em silêncio. Logo rodeado por jornalistas e câmeras de TV, o magistrado ouviu que lhe perguntavam:

— Meritíssimo, o senhor é famoso pelas sentenças justas que profere. Perdoe a minha ignorância, mas por que condenar à morte uma mulher tão generosa como essa, uma mãe tão abnegada, que perdoou o assassino do próprio filho?

O juiz, sem tirar os olhos dos dois corpos no chão, respondeu:

— O motivo é simples. Por justiça.

O repórter insistiu:

— Mas essa mulher era benquista por todos, só fazia o bem, e a prova maior disso é que deu o seu perdão a quem tirou a vida do filho.

E então o juiz olhou fixamente para a câmera:

— A esse crime ela não tinha o direito de dar perdão.

 




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11 de fevereiro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos filho, justiça, mãe, perdão

              
            
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