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25 de outubro de 2015

póQuando soube que iria morrer em breve, ele pegou uns poucos pertences e sumiu no mundo – lá, onde era distante de tudo e o idioma era uma barreira intransponível. Desfez-se de qualquer prova de sua identidade e deixou-se levar pelos dias. Perdeu-se na multidão e sentiu que a vida pouco a pouco o abandonava. De vez em quando cantava, com sua voz de baixo profundo. Lembrava-se de canções de sua infância e adolescência e se deixava embalar pela melodia. Nada o alterava. Não falava nunca com ninguém, exceto com um cão velho que costumava cheirar seus andrajos e se deitar a seu lado. Dormiam juntos ao relento. Vou morrer, cão, e posso lhe garantir que isso não me agrada. Mas é o que há para hoje. Ninguém soube dizer as circunstâncias de sua morte, mas ele estava morto e isso era um fato. Hoje não é mais que uma pálida recordação. Amanhã, nem isso.

 




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25 de outubro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos cão, morte,

               
              
            
                

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