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10 de junho de 2018

Pra poder dormir em paz

Juntei a saliva mais fresca à minha língua mais habilidosa e lambi. Lambi. Lambi. Lambi. E, conforme eu lambia, senti que ela estremecia primeiro, relaxava depois. Estava agradecida com a carícia que eu fazia com a boca. O fogo que antes queimava deixou de queimar e deu lugar ao estado de êxtase e alívio há muito buscado. Alívio era a palavra exata, tanto alívio que ela se entregou plena, inteira ao esforço empreendido por meus lábios, língua e saliva. Então descansou, rendida e calma. Ela era assim, necessitava do conforto e do consolo que só eu, ninguém mais, poderia dar. Agora em paz, ela deixou de sofrer e repousa. Não mais fogo, não mais ardência, não mais dor. Podemos os dois dormir. Fiz um bem a ela — à minha ferida.

 




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10 de junho de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos boca, ferida, língua, saliva

               
              
            
                

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