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12 de julho de 2017

Preço

Quando foi,

em que momento preciso

e sob quais condições de temperatura e pressão,

que tudo começou a ter preço?

 

Talvez quando o miserável aproveitou a luz do sol

para iluminar em volta de si

e viu que a fome, a falta de abrigo e o frio

cobravam outra vida, urgentemente.

 

Ou foi quando o tolo percebeu que devia mais do que comia,

e teve certeza de que a teoria falhou,

já que a ambição, gorda e desmedida,

respirava em outra boca, outra barriga, outra mansão.

 

Pode ter sido quando o socialista correu atrás do capital,

ou quando o latifundiário gritou pela reforma agrária — na terra dos outros.

Ou quando se percebeu que o teto de vidro de uns é igual à necessidade

de dormir sem medo de outros.

 

Será que o preço surgiu aí?

 

Seguimos todos olhando em volta,

perplexos,

e nunca falta quem ponha preço

ao silêncio, ao tempo, à luz, à paz,

ao direito de terceiros,

à dignidade

e ao respeito à vida, ao vício, à liberdade,

à sinceridade, à complacência,

ao mar, à ciência e até à verdade.

 




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12 de julho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Poesia preço

               
              
            
                

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