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21 de agosto de 2017

A propósito de Chet

Suave e delicado como o trompete de Chet Baker,

estremecedor como o fio de voz que sai de sua garganta:

só escutamos o vento quando o vento encontra resistência.

E esse ar abafado e sufocante em preto e branco soa a beco escuro,

a sarjeta em Nova York,

a um copo (vazio) com gelo,

a olhos fechados,

a silêncio,

a espera.

 

E me esqueço de Chet Baker, cabisbaixo no outro lado do cenário:

o Chet das brigas, das prisões, dos dentes arrebentados, do demônio na veia,

ele que se jogou de cabeça na heroína e na cocaína

e acabou estatelado numa calçada de Amsterdan,

deixando para trás a janela do hotel, o vento, o trompete, a voz, o ar. A vida.

Salto, caída, empurrão. Lógica.

 

Me esqueço disso agora.

Porque é tão enternecedor o som de seu trompete, tão acetinado o tom de sua voz,

que tudo ao meu redor parece um detalhe, um gesto,

uma frase ao acaso no outro lado do telefone,

que me deixa mudo, trêmulo, pensativo,

entre o sorriso e a lágrima.

 




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21 de agosto de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Poesia Chet Baker, som, trompete, voz

              
            
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