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8 de setembro de 2020

Quando ele era um menino

Sai de casa sem pressa e, mesmo assim, é o primeiro a chegar, a noite mal começou. Enquanto espera pelos outros, pede um café e o toma aos golinhos. Os outros vão chegando aos poucos e se sentando a seu lado. Pedem bebidas variadas. Um deles dá as cartas e começam a jogar. Falam do tempo, do trabalho, do futebol. Partida após partida, logo o relógio anuncia que é hora do jantar. Os amigos se levantam. Ele caçoa de todos eles, “a mulher de vocês mantém a rédea curta, não é mesmo?” Fica sozinho na mesa. Pede uma taça de vinho, logo depois outra e mais outra. Retarda o quanto pode a hora de voltar para casa. Ninguém o espera lá. Vai caminhando devagar pelas ruas já quase desertas. No vidro da entrada de seu prédio vê sua figura refletida. Acaricia o próprio rosto. Como fazia sua mãe, quando ele era um menino. Como há muito tempo ninguém faz.

 




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