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9 de setembro de 2016

Quando só a chuva importa

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O ato da paixão, quando há paixão, tem de assemelhar-se às tormentas, é o que alardeiam os corações humanos. E, se de tormenta se trata, não há tormenta mais prazerosa que aquela que se inicia com o relâmpago que estala em seus olhos e atinge diretamente os meus, anunciando tempestades iminentes. Ou o furacão que se forma em sua boca e gira e gira e explode sobre a minha. Ou ainda o ciclone que começa rodeando meu pescoço para terminar num abundante aguaceiro sobre as minhas pernas. Ou a tromba d’água que provoca a mais profunda inundação em nosso leito, mesmo que, náufragos, já flutuemos sobre os lençóis. Ou a borrasca enlouquecida que nos desnorteia e exaure de tanto transbordamento e nos impele a nadar, nadar entre beijos e gritos e respiração entrecortada, até atingir a margem oposta da cama, sobreviventes improváveis de um doce Dilúvio.

Não mostre a cara, Sol! Permaneça escondido e quieto, guarde seus raios e sua luz pra outra hora. Não o quero em nosso quarto, não hoje! Que seja eterna a estação das chuvas e do mau tempo!

Quanto a você, Rainha das Nuvens Carregadas, meu amor, não pare de me afogar com sua água caudalosa e de me calar com esse te quero tanto! contínuo, que goteja em meus ouvidos como uma canção de sereia em alto mar. Não pare! Haverá tempo pro mundo todo e pra todas as outras coisas depois. Agora só a chuva importa.

 




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