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14 de agosto de 2020

Quatro dedinhos de prosa

1.

Há muita gente egoísta neste mundo. Pessoas autocentradas, que só têm olhos para o próprio umbigo. Detesto gente assim, que fica o tempo todo pensando em si mesma, em vez de pensar em mim.

 

2.

Percival e sua mulher decidiram abandonar a vida perigosa da cidade e viver no campo. Uma casa de madeira no meio da floresta, perto de um lago tranquilo e muito tempo livre para apreciar a natureza — não precisavam de mais nada. Enquanto passeava entre as árvores, ele ouviu alguém pedindo socorro e correu na direção da voz. Um turista tinha caído num buraco no meio da plantação rasteira e não tinha como sair de lá sozinho. Espere, disse Percival, vou buscar ajuda. Foi até sua casa dando risada. Mais um, falou sorrindo para a mulher. E pegou a espingarda.

 

3.

Naquela manhã ele despertou invisível, mas não se preocupou. Vestiu-se, tomou uma xícara de café e foi andando até o metrô, rumo ao trabalho. Passou o dia imerso em relatórios e planilhas. Voltou para casa no começo da noite. Na manhã seguinte despertou visível. Tudo correu exatamente igual ao dia anterior.

 

4.

Era a primeira vez para os dois. Ela estava totalmente nua, os olhos fechados, os lábios entreabertos. O rapaz, inseguro, tinha medo de cometer algum erro e estragar tudo. Queria fazer exatamente como tinham lhe ensinado. Ele respirou fundo, segurou-a com força pelos cabelos e deu início à autópsia.

 




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14 de agosto de 2020 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos conto, dedinhos, prosa

              
            
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