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7 de julho de 2016

Quinzinho

mendigo2Enquanto seu pai metia quase o corpo inteiro na lata de lixo, revirando tudo em busca de alguma coisa aproveitável no amontoado de sacos plásticos e caixas vazias de pizza, Quinzinho levantou a cabeça e fixou os olhos no homem que se aproximava deles a passos lentos, sob a luz amarelada e mortiça de uma luminária pública. Arrastava uma das pernas e a outra mal sustentava o corpanzil pesado. Assustado, o menino encostou-se no pai.

Parecido com o ogro dos desenhos animados, o homem amedrontava: era grande, a barba muito fechada e os cabelos desgrenhados, no meio dos quais brilhavam dois olhos negros como os de uma pantera. Tinha uma sacola de plástico numa das mãos e olhava fixamente para Quinzinho, como se o estivesse medindo. Parou muito perto dos dois. O menino deu um passo para trás e seu pai tirou a cabeça da lata de lixo para ver quem tinha chegado.

Com a voz débil de quem há muito tempo não articula palavra, o homem estendeu a sacola de plástico para Quinzinho:

— Pegue aqui, menino. É um par de tênis. Acho que vai servir pra você, é do seu tamanho. Tá novinho ainda. Essa gente rica joga fora qualquer coisa.

Quinzinho pegou a sacola. O homem virou as costas e foi na direção de outra lata de lixo.

 




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