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20 de outubro de 2015

Rameira

rameiraE por acaso você pode dizer o contrário? Por acaso não abro sempre as pernas? Eu abro sim, para que, em alguns dias da semana, pareçamos uma família normal, dessas que se veem na novela.

Eu abro as pernas para que você seja menos sovina e deixe no meu sutiã uns trocados a mais, porque é preciso pôr comida todo dia na mesa.

Eu abro as pernas para que não saiam de sua garganta os insultos que você costuma me dar de presente, intumescidos pela cachaça de toda noite.

Eu arregaço as pernas para que você deixe de encarar o nosso filho com essa raiva avermelhada nos olhos.

Eu arreganho as coxas para que, enquanto você baixa as calças, não levante a mão. E, quando passo perto daquele bairro de má fama e vejo de longe o bordel, imagino aquelas mulheres como trabalhadoras honradas do prazer, vendedoras de compaixão, amenizadoras de solidões alheias.

Eu, a rameira.

 




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20 de outubro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos pernas, rameira

               
              
            
                

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