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2 de janeiro de 2019

Réveillon imperdoável

MENDIGO

Ainda me atrevo a amar

o som da luz branqueando uma hora morta qualquer,

a cor do tempo dormindo no muro abandonado.

 

Perdi tudo no fundo do meu olhar

e sei — sempre soube —

que pedir está distante. E quão perto está perceber que não há!

 

O QUE NÃO SE ESQUECE

Casulo: larva, umidade, escuridão

Mariposa: ar, cor, luz

No voo, o casulo: tatuagem na memória

 

PREVENIDO

Ícaro olha para o alto.

Meio-dia, sol a pino, o suor escorre.

Pondera: melhor à meia-noite.

 

AI, MARICARME!

Maricarme chora e ri,

fala e mente,

sonha e finge.

Maricarme inventa a vida e vive.

 

Maricarme cria contos de amor

em que ele nunca vence.

Maricarme goza histórias de paixão

em que ele sempre morre.

 

Ele não chora nem ri,

não fala nem mente,

não sonha nem finge.

Ele nem sequer existe.

 




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2 de janeiro de 2019 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Poesia mendigo, prevenido

               
              
            
                

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