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20 de junho de 2019

Rosa, o que é que você vê?

Colheita terminada, o camponês foi à cidade vender o milho, o arroz e a soja. Rosa, sua mulher, na porta da casa, gritou para que não se esquecesse de lhe trazer um pente. Minha trança tá embaraçada, preciso de pente. Traz um pra mim, Délio.

Antes de retornar ao sítio, as sacas todas vendidas e o dinheiro no bolso, o homem foi beber com os amigos. Estava já sobre o cavalo e a caminho de casa quando se lembrou do pedido da mulher. O que era mesmo que ela queria? Não se recordava. Para evitar discussão quando chegasse, resolveu comprar qualquer coisa. Numa loja ali perto vendiam artigos femininos. Escolheu um espelho. Pequeno, delicado e redondo, com moldura dourada, era perfeito, Rosa iria adorar.

Entregou o presente à mulher e foi dormir, embalado pela bebedeira. Ela desembrulhou o pacote e começou a chorar no mesmo instante. A mãe perguntou o que havia de errado e Rosa lhe mostrou o espelho. O Délio me traiu na cidade. E ainda trouxe a sirigaita pra casa. E a danada é bonita, olhe só, tem olho verde e tudo. E essa trança, olhe que beleza! O Délio me paga.

A mãe pegou o espelho, examinou-o de todos os lados e tranquilizou sua filha: Deixe de gastura, menina, isso não vai dar em nada. É só uma velha. O Délio não gosta de mulher de idade, gosta de moça nova como você. Vai, vai dar um jeito nesse cabelo, anda.

 




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