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12 de setembro de 2014

Sem dono

Aí está você, cão de rua, velho, pelo todo emaranhado que há muito não vê uma escova. Que escova! Há muito não vê carinho. Vejo você beber a água parada da sarjeta. Sento-me perto e observo sua língua sorvendo a água suja. Arrisco um gesto de mão sobre sua cabeça e você sai de perto, ressabiado, desacostumado de afagos. Não sei se você viu na água o reflexo de seus olhos, esses olhos escuros e cansados de viver horas ainda mais escuras, mas eu vi. Também percebi que você soltou um longo suspiro. Agora você me olha, olha em volta e desce a rua, cabeça baixa. Vi que você manca. Vi também que, lá na esquina, você parou e olhou para trás. Olhou para mim, que permaneço sentado na sarjeta. Sei que me compreendeu.




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12 de setembro de 2014 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Prosa Poética dono, sarjeta

               
              
            
                

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