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22 de maio de 2015

Silêncios

silêncio

É raro, mas às vezes sinto vontade de abrir minha caixa de silêncios e escutá-los de novo. São tantos, são vários, são tão presentes! Há silêncios de todas as cores e matizes, de todas as situações e momentos, de tantos dias acontecidos e deixados de lado, ah, o tempo que não perdoa!

Há – tenho certeza de que você se lembra – os calmos silêncios daquelas tardes de verão, quando passeávamos de mãos dadas pela praia deserta. As palavras sobravam, não precisávamos delas.

O silêncio trêmulo que acompanhava minha mão no primeiro dia em que toquei seu rosto e seus seios – esse também está lá, num canto da caixa.

Os silêncios compartilhados que dizem mais que mil palavras, os silêncios impostos que a deixavam desconfortável e chorosa – guardados estão.

Há o silêncio covarde que usei para (não) responder às suas acusações, e há o silêncio no qual você se fechou quando confessei minha traição – esses, como doem!

E há agora esse silêncio atroz, insuportável, ensurdecedor que a acompanha sempre que você vem visitar minha lápide.

– Por favor, você que pode, diga algo!

 




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