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11 de maio de 2016

Sopra, Marcelinho!

marcelinhoEle faz força para soprar, mas a chama da vela nem se move. Tenta novamente, e nada. “Vamos, Marcelinho, sopra a vela”, diz a mamãe. “Faz força, filho, sopra de novo”, diz o papai. Todos, muito contentes e barulhentos, querem que ele apague a vela que está em cima do bolo de seu aniversário de três anos, e ele tenta mais uma vez, sem conseguir. A chama continua lá. Em volta dele dão risada e cantam, muito, muito alegres. Mas Marcelinho não está alegre, está assustado. Olha em volta e não entende o que acontece. Só sabe que tem que soprar e apagar essa vela. Está com medo. Tem vontade de correr para o quarto e ficar lá, chorando até dormir. Mas fica na frente do bolo, em pé sobre a cadeira, tentando apagar a vela com o ar fraquinho que sai de seus pequenos pulmões. “Vamos, querido, hoje de manhã você soprou direitinho, é só repetir, vai, faz força, sopra, sopra”, a mamãe insiste.

Marcelinho olha a chama brilhante e torna a soprar, mas ela continua acesa, sem se mexer. O papai já está ficando um pouco nervoso, a mamãe continua pedindo pra fazer força e todos olham para ele, esperando, cantando, batendo palmas. “So-pra, Marcelinho, so-pra, so-pra!”, gritam todos. Então Marcelinho fechou os olhos, respirou bem fundo e soltou um sopro enorme, muito, mas muito forte, tão forte que apagou a vela, apagou o bolo, apagou os convidados barulhentos, apagou o papai nervoso, apagou a mamãe insistente e apagou a festa inteira. Agora ele não precisa soprar mais nada.

 




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