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morte

Sem tempo pra pensar nela

Quando não é uma janela quebrada, é o pé da mesa que está torto. Às vezes, pega o saco de lixo e o leva até a lixeira no quintal. Outras vezes eu o vejo enchendo a tigela de ração do Pingo. Nos finais de tarde está religiosamente no ponto de ônibus, esperando minha irmã menor […]

4 de outubro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos morte, velhice

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A pergunta

Não voltarei a pisar descalço a grama fresca nem a sentir a neve entre meus dedos ou a chuva sobre meu rosto. Não voltarei a estreitar-te entre meus braços nem a sentir teu calor abrasando-me o peito. Não voltarei a tocar aquelas canções no meu velho piano nem voltarei a correr atrás de meus sonhos. […]

25 de abril de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Poesia morte, pergunta, vida

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O outro rosto, a mesma face

Depois da nossa última discussão, decidi pôr um ponto final em nossa crise conjugal. No começo não soube o que fazer com o corpo e, depois de três dias vendo-a inerte sobre o sofá, resolvi enterrá-la debaixo do piso da cozinha. Algumas horas depois disso, como resultado de uma metamorfose repentina, comecei a imitar a […]

30 de março de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos corpo, espelho, face, morte, rosto

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Pela hora da morte

Embora tivesse tentado esconder por todos os meios, finalmente Adelaide decidiu contar ao Jaiminho que seu pai passaria um ano, talvez dois, à sombra. — Querido, o papai vai ficar um tempo longe daqui, andaram dizendo que ele fez coisas más. Mas depois ele vai voltar, entendeu? — O que aconteceu, mamãe? — Nada de […]

29 de março de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos frutas, morte, pai, preço

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Cena de doçura familiar explícita

Meu pai costumava morrer de vez em quando. Não era uma coisa deliberada; ele simplesmente morria e pronto. Ficava deitado no chão, olhos fechados, as mãos postas sobre a barriga sobre a qual eu e meus irmãos pequenos gostávamos de pular aos gritos e gargalhadas. Minha mãe nos olhava e balançava a cabeça como quem […]

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Uma família

Em minha casa os familiares falam ao mesmo tempo, menos eu. Isso causa alguma estranheza em todos, e não raro se perguntam se eu teria alguma doença ou algum retardo mental. Izildinha, minha irmã mais velha, sim, como fala! Ninguém a ouve, como de resto ninguém ouve ninguém, mas não lhe faltam elogios por sua […]

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Voltar de onde não se volta

O pior que pode acontecer a uma pessoa, ou o pior que uma pessoa possa fazer aos outros, pior até mesmo que morrer, é essa pessoa voltar de onde não se volta, é contrariar expectativas e ressuscitar fora de hora, é reagir positivamente à medicação dada, é abrir os olhos de novo, quando ninguém mais […]

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Detrás do espelho

Maitê não gosta das noites, os gritos surgem, e ela fica aterrorizada. Sabe de onde eles vêm. Sempre aparecem quando está escuro, como insetos que corroem tudo que é podre e não vão embora enquanto não terminam de se alimentar. Encolhida entre os lençóis, os olhos semicerrados de medo, ela ouve quando os gritos se […]

1 de novembro de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos espelho, morte, noite, queda

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Amor perigoso

Os dois sabiam — ela mais que ele — que era um amor perigoso e que a qualquer momento a fatalidade aconteceria. Uma tragédia anunciada, comentavam os outros. Não era por acaso que ela tinha esse pescoço tão longo e tentador de cisne, e ele, essas mãos de estrangulador, grandes, peludas e fortes. O destino, […]

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Pelas esquinas

Sempre gostei de sair para caminhar. A esmo, sem destino, apenas pelo prazer de mexer as pernas, vencer esquinas, ruas e avenidas, chegar a algum lugar previamente determinado, e depois voltar, com a sensação de dever cumprido. Caminhar por caminhar, apenas. Respirar diferentes ares, contemplar horizontes, descansar os olhos nas paisagens à frente – é […]

28 de março de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos caminhar, esquinas, morte, vivos

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Quando soube que iria morrer em breve, ele pegou uns poucos pertences e sumiu no mundo – lá, onde era distante de tudo e o idioma era uma barreira intransponível. Desfez-se de qualquer prova de sua identidade e deixou-se levar pelos dias. Perdeu-se na multidão e sentiu que a vida pouco a pouco o abandonava. […]

25 de outubro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos cão, morte,

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As muitas mortes de Francisca

Francisca morreu ontem. Quando morre Francisca, não é só Francisca, ela própria, quem morre. Morre a filha de Antonio e Adelina. E a irmã de Joaquim. E a melhor amiga de Luísa, a companheira de passeios pelo parque quando era verão e o sol demorava a se pôr. Morrem também, quando Francisca morre, a amiga […]

26 de maio de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Francisca, morte, mortes

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Morrer na televisão

O corpo do menino atropelado estava caído no asfalto, sob um cobertor. Em volta dele as pessoas se aglomeravam, aguardando a chegada da polícia e da ambulância. O sol do meio-dia cozinhava as cabeças que se erguiam para olhar o resultado de mais uma imprudência no trânsito da cidade. O motorista sumira sem prestar socorro, […]

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A ausência de nós mesmos

No tempo em que não estive ninguém deu por minha falta, nem mesmo eu percebi que tinha deixado de estar.   Isso deve ser o mais parecido com a morte, em que a ausência aos poucos vira desencanto, e logo esquecimento.   A ausência de nós mesmos, quando a sentimos, é a perfeita tradução do […]

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Nem a morte os separa

Everaldo voltou para casa depois do sepultamento de sua mulher. Bebia uma cerveja quando a campainha tocou. Levantou-se para atender. Outra pessoa não era senão Eunice, a esposa que acabara de enterrar. – Dá licença, Everaldo? Vim a pé até aqui e estou cansada. – Mas… e o enterro, o sepultamento…? – Everaldo estava atônito. […]

7 de outubro de 2014 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos morte

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