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O cheiro de gasolina

Meu avô Américo tinha cheiro de gasolina na pele. Sentado como um comandante na velha poltrona de couro puído, consumia horas organizando seu exército: pincéis, escovas, lixas, tesourinhas e pinças para depilar narizes e orelhas, cortadores de unha e palitos de fósforo. Colocava-os em fila, dava ordens, planejava contendas, definia estratégias. Calçava botas militares e […]

14 de março de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos avô, cheiro, gasolina, neto

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Filmes de mãos

A cada dia que passa entendo melhor as sombras. Na minha idade não é difícil compreender essas coisas escuras e pouco definidas. Meu neto brinca com elas e diz que são sombras chinesas. Ainda ontem, na tela da parede da sala, fez subir no meu braço um jacaré com a boca aberta. Pouco depois era […]

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Defeito de fabricação

Nossos olhos, assim como a totalidade de nossos órgãos, não pareciam grande coisa quando os vimos em cima da bandeja, mas eram mais bonitos que os olhos sintéticos que colocaram em nosso rosto. Tive ímpeto de dizer isso mas me contive — poderiam tomar-me, àquela altura, como um sujeito egocêntrico, o que não tinha o […]

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O presente

Enquanto os adultos fazem a obrigação comparecendo com caixas de camisa ou sapatos que ele nunca usará, Camilo se aproxima do avô, dá-lhe um beijo no rosto e lhe estende um pequeno embrulho: — Aqui está, vovô, esse é o meu presente para o seu aniversário. Pode abrir, sei que o senhor vai gostar. É […]

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