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11 de dezembro de 2017

Tim Tim

Tim Tim escutou a conversa da mãe com o pai e começou a pensar. Passou dois dias assim: pensando. Entre o lanche da tarde e a brincadeira com o trenzinho, parou e pensou. Tinha um plano, mas precisava de ajuda. Resolveu chamar a Dani. Puxou a amiguinha para atrás da cortina da sala e cochichou com a boca colada no ouvido dela: “Dani, preste atenção. Antes que o papai volte, vamos mandar o Ernesto embora. Sabe o Ernesto? Ele vai morrer hoje. Eu não vou deixar, e você tem que me ajudar”. “Tá bom, eu ajudo, mas o que eu vou ganhar?”, cochichou Dani de volta. “Eu deixo você brincar com o Garibaldo”, Tim Tim apertava as mãos em concha em volta da boca. “Eu vou pôr vestidinho nele e quero ser a mãe dele, tá?” “Tá. Agora sai daí pra mamãe não desconfiar”. Os dois saem detrás da cortina e vão pé ante pé para o quintal.

Tim Tim finge que vai jogar bola e Dani aperta as tranças soltando risinhos nervosos. Olham-se, cúmplices. “Qual é o plano?”, sussurra a menina. Tim Tim faz shh com o dedo indicador sobre os lábios. “Vem comigo. Você fica olhando pra ver se não vem ninguém. Dá um grito se a mamãe aparecer”, explica Tim Tim. “Tá bom, eu grito”, Dani respondeu, olhando para os lados.

Ernesto estava tranquilo, sem saber que sua vida estava por um fio. Tim Tim abriu a porta e agitou as mãozinhas: “Vai, Ernesto, vai, xô, xô!”. Teve até que dar um empurrão. Ficou satisfeito quando viu o Ernesto correr esbaforido.

À noite, o menino se divertiu quando o avô disse que não queria jantar, que se não tinha peru não era Natal. Tim Tim suspirou e abocanhou um pedaço de panetone. Estava com fome, o dia tinha sido puxado.

 




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11 de dezembro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos Natal, peru, Tim Tim

               
              
            
                

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