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3 de setembro de 2020

Tribunal

O condenado se encolhe sobre a pedra dos sacrifícios e aguarda a execução. Sente frio, a pedra é gelada. Já anunciaram as alegações: os crimes são imperdoáveis! A defesa pouco ou nada pôde fazer para evitar a sentença que, de resto, era esperada por todos. O júri não teve compaixão e declarou o réu culpado de todas as acusações. O destino do sujeito estava selado e não havia mais nada a dizer. Num tempo como este, os julgamentos são rápidos, a decretação da sentença, mais veloz ainda, e muita falação é perda de tempo. Tempo não se perde, ganha-se. Toma-se, ou rouba-se, tanto faz.
Agora competia ao juiz cumprir a sentença e dar o caso por encerrado. Bastará apenas um clique do magistrado para que o corpo do réu se desintegre em mil milhões de partículas que, à velocidade da luz, se espalharão pela rede como ratos no esgoto. O sistema, sempre competente, enviará cada pedacinho do sujeito aos cidadãos conectados. Estes, como sói acontecer, celebrarão a chegada da parte que lhes cabe. Não vêm a hora de compartilhar com os seus a beleza e a justiça do tribunal da internet.



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3 de setembro de 2020 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos condenado, conto, justiça, tribunal

               
              
            
                

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