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12 de janeiro de 2016

Troféu

trofeuMuitos anos depois de ter perdido completamente o seu rastro naquela expedição africana, da qual também participei, finalmente encontrei o meu velho amigo Matias Homero quando passeava pelo mercado livre da periferia.

Tantas coisas aconteceram depois de nossa última briga! E o tempo opera tantas mudanças na vida da gente que, assim que pus os olhos em seu rosto, decidi acabar de uma vez por todas com nossas desavenças e esquecer o quanto nos odiávamos.

Aproximei-me dele e tomei sua cabeça entre minhas mãos, enquanto as lágrimas inundavam meus olhos, dando passagem a uma emoção que raras vezes tinha experimentado. É certo que seu rosto estava bem magro e massacrado pelas vicissitudes desta vida, cheio de rugas e marcas. Consegui um bom desconto por ele. Agora, por onde vou, o pingente com o rosto de meu amigo Matias Homero vai comigo, pendurado no meu pescoço. Ele não tinha mais como brigar comigo: eu estava vivo e ele não. Eu venci.

 




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12 de janeiro de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos amigo, rosto, rugas, troféu

               
              
            
                

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