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7 de agosto de 2017

Uma pechincha

A solução definitiva para escritores com bloqueio criativo: era assim que a propaganda pretendia vender seu produto milagroso. Por uma pechincha, o escritor carente de ideias e inspiração poderia receber pelo correio, em dois dia úteis, o remédio para destravar seu cérebro e seus dedos e transferir para a tela em branco do computador os jorros da sua agora caudalosa imaginação. “Para escrever uma boa história, nada melhor que vivê-la” — esse era o slogan da peça publicitária. Teodoro era um escritor em crise criativa. Resolveu provar a panaceia anunciada.

Não foi com pequena decepção que, ao abrir o pacote que acabara de receber, ele encontrou um trivial frasco com pílulas cor de mel. Como estava decidido a fazer qualquer coisa para resolver o vácuo literário que o acometia, não hesitou: engoliu uma delas e se sentou na frente do computador. O efeito foi imediato e o título de uma história lhe veio feito uma descarga elétrica. Animado, viu que seus dedos dançavam com destreza no teclado e sua cabeça era uma cascata de ideias, assuntos, enredos, tramas. Escreveu como nunca. Assim, em apenas três dias, criou tantas histórias quantas pílulas havia no frasco. Um fenômeno! Esgotado, observou com aflição a embalagem quase vazia, mas ainda faltava escrever uma história incrível, cujo título fervilhava em sua cabeça: “Parca, mulher feia, amante linda”. Sentindo calafrios, engoliu a última pílula do frasco.

 




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