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12 de outubro de 2016

Uma punição mais branda

Detail shot of an old brick wall

Já foi batizado?

Sim.

Nada de sim, responda “Sim, senhor”, que você não está falando com um qualquer desses a que você está acostumado. Fez a primeira comunhão?

Sim, senhor.

É católico?

Sim, senhor, mas não praticante.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que sou católico, creio em Deus, mas não frequento missa nem tomo comunhão, senhor.

Mas então você não é católico. Casou-se na igreja?

Na época em que me casei as igrejas estavam fechadas, senhor.

Ah, então você vive em pecado com sua mulher. Tem filhos?

Tenho um com cinco anos, o segundo vai nascer em outubro, senhor.

Você não sente vergonha diante dele por ser um assassino?

Eu não sou um assassino, senhor. Se matei alguém, matei em combate, não sabia o nome nem vi o rosto do morto. E depois, todo soldado mata quando em guerra, ou não?

Insolente! Vocês são todos iguais, assassinam, matam, depois não querem sofrer as penas da lei. Aqui há lei, entendeu bem? Aqui se defende a Santa Fé de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sim, senhor.

Mas você está com sorte, a situação de guerra permite que receba uma punição mais branda por seus crimes. Além disso, você tem um filho e outro está a caminho, isso lhe dá o direito de continuar vivo. Dou-lhe a oportunidade de se arrepender. Atenção, soldados do pelotão, não fuzilem esse aqui, só cortem a língua e uma das orelhas. Avante!

 




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