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13 de novembro de 2014

As vacas prodigiosas

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O povo daquele país ouviu dizer que, numa região remota, enquanto mascava vagarosamente a grama verde, uma vaca começou a falar. E não só a língua local, mas inúmeros outros idiomas, como o sânscrito, o mandarim, o javanês e até o latim, que todos consideravam uma língua morta. O detalhe curioso é que a vaca falava os idiomas com fluência e com a mais estrita correção gramatical. Todos ficaram muito admirados. Aquele quadrúpede era um fenômeno!

Pouco tempo depois, mal se havia acostumado à vaca falante, o povo foi surpreendido por um novo acontecimento, igualmente notável: não muito longe dali apareceu outra vaca que sabia como ninguém as quatro operações matemáticas e como resolver teoremas sem precisar chegar ao “CQD – Como Queríamos Demonstrar”; assim que a premissa era estabelecida, ela já dava a solução do problema. Uma coisa do outro mundo, aquela vaca!

O aparecimento de uma terceira vaca prodigiosa logo monopolizou a atenção de todos: dessa vez era uma vaca com pretensões políticas, que foi vista mais ao sul daquele país. Quem a viu dizia que era capaz de “desconstruir a dialética de Marx e Engels num piscar de olhos”. Era pretensiosa, mas quanta sabedoria tinha aquela vaca!

Os governantes do país logo demonstraram interesse e curiosidade pelos novos acontecimentos. Queriam conhecer de perto as vacas tão talentosas de quem todos falavam. O interesse e a curiosidade, porém, imediatamente deram lugar a uma grande preocupação. Quando souberam que as tais vacas não davam mais leite desde que os fenômenos começaram a se manifestar, os homens do governo não tiveram dúvida: ordenaram seu imediato sacrifício. Que falassem, fizessem contas e desconstruíssem teorias lá no pasto, para os bois ou bezerros delas, era uma coisa que até se podia aceitar. Outra bem diferente era ficar sem dar leite. Isso, sim, era inadmissível!

 




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