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13 de janeiro de 2016

Vaidade

vaidadeTão logo me puseram na cela para cumprir minha pena, comecei a cavar o túnel. No começo fazia tudo por impulso, sem a habilidade necessária, com um só objetivo: enganar os carcereiros e executar uma fuga espetacular. Logo descobri o estranho prazer de dar forma a um projeto de superação pessoal. Virei especialista na construção de túneis. Fui paciente e perseverante. O tempo passou.

Meu trabalho progrediu e estava já a poucos metros de atingir o lado exterior quando chegou o indulto e, por bom comportamento, vi-me de novo nas ruas. Confesso que, embora estivesse aliviado por estar outra vez em liberdade, cruzei o portão de saída sem muito prazer – prazer que teria se, em vez de sair pela porta principal, tivesse fugido por minha modesta mas eficaz obra de engenharia.

Por isso não me surpreendi quando, no dia seguinte, estava do lado de fora do muro cavando os metros que faltavam para conectar o túnel ao mundo exterior. Claro que não quero voltar aos dois por dois de minha cela, nada disso. O que quero é que meu prestígio alcance a liberdade junto comigo.

 




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13 de janeiro de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos cela, liberdade, prisão, túnel

               
              
            
                

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