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20 de março de 2015

Vício

choque

Minha amiga Elvira tem se submetido a um tratamento à base de eletrochoques para curar sua depressão. Sei disso porque ela me contou. Estava excitada quando me disse o que o médico tinha feito. Eu, que não sou doutor nem tenho inteligência, não consigo adivinhar o que converte uma corrente elétrica num remédio contra qualquer mal, mas se isso está fazendo bem a Elvira, que seja. É claro que eu não falo nada sobre essas dúvidas, minha amiga já tem bastante com o que se preocupar. O que sei com segurança é que ela, logo depois das sessões de eletrochoques, volta para casa com uma terrível dor de cabeça e vários hematomas pelo corpo. Sei disso porque a pobre me conta, me caguei inteira hoje com os eletrochoques, tremi toda e borrei as calças. A cabeça parece que vai estourar. O doutor disse que isso é normal, o que fazer? Bom, agora vou tomar banho e me limpar, que amanhã tem mais.

Ela já tomou tanto eletrochoque, e se borrou tantas vezes, que parece que se viciou. A depressão, bem, essa tem estado sob controle até agora. Minha amiga Elvira finalizou o tratamento, mas volta e meia fala dos procedimentos do médico (será que percebo alguma saudade?). Eu continuo na mesma: entendimento zero sobre a eficácia disso, mas, em que pese minha ignorância, Elvira tem passado bem nos últimos dias e isso é suficiente para me deixar feliz. Mesmo que ela, ao menor sinal de que a doença vá se manifestar novamente, meta os dedos numa tomada para se acalmar. Tem dado certo.

 




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